quarta-feira, 19 de junho de 2013

junho / 13
 
A Vertigem da Beira do Poço

         Retomando o tema de se superar e reinventar-se, lembro que, no final do texto (de maio), afirmei não existirem receitas – além de seguir o impulso nascido do mergulho no mundo interior. O que quis dizer, depois de falar em vencer os bloqueios, quebrar as resistências, foi que cada um, já preparado, terá condições de escolher o seu caminho; e liberdade para decidir o seu passo. O que quero dizer com “já preparado”?

         A escolha de uma disciplina será sempre necessária; mas diferente de obedecer a regras  fixas iguais para todos.

              Seja qual for a forma que escolheremos para seguir, ela vem do resultado de uma preparação, da repetição de uma prática.
 
         E que caminhos são esses que nos levam em direção à realização?

                  Além do sempre enfocado (por mim) trabalho da psicanálise, do reconhecimento de que nossas ações e emoções são geradas num campo desconhecido, o inconsciente, que precisa ser pouco a pouco resgatado, reconhecemos a prática da meditação e da oração; enquanto as sessões de análise se sucedem, costurando sequências  que conduzem a uma tomada de consciência maior, na meditação, se sistemática, são  ativados nossos centros vitais,  promovendo um estado de harmonia com o nosso mundo interior e com tudo o que nos cerca. E também a oração, quando contínua, produz no praticante  uma corrente  de união com a fonte de sua busca.

Um dia, há muito tempo, cheguei à sessão de análise disposta a narrar o quanto havia vencido  os obstáculos...  Era a consciência de sair do fundo do poço e ganhar o horizonte. E foi justamente ao ouvir minha voz se expressando, que aquela sensação me tomou por completo: a vertigem da liberdade: o  prazer tonto de poder caminhar sem peias, sem queixas, sem apoios de explicações.  Estava para me lançar, mas a percepção de que sempre haverá um próximo desafio me desarticulava. Alguma coisa dentro de mim deu as mãos para mim mesma. Mas não estava pronta. Sabia que, enquanto passageira da vida, nunca estaria inteiramente pronta. Sempre a caminho. 

terça-feira, 7 de maio de 2013

MAIO/13
APÓS A SUPERAÇÃO , REINVENTAR-SE

         Nós, seres humanos, somos regidos por duas forças opostas, que os filósofos gregos antigos chamavam de Eros e Tânatos e Freud denominou pulsões: a pulsão de vida e a pulsão de morte.

         Quando se sofre uma perda marcante, a atitude mais sadia é viver intensamente este luto.
         Saber passar pela dor, sofrer e se recuperar.

         Acontecimentos ou uma forte determinação podem despertar  a pulsão de vida e nos erguer para   entrar na fase de reparação.

          Vencer, inclusive, a culpa de não se sentir mal. Porque aprendermos com o senso comum que sofrer tem algum valor nobre.

         Aqueles que de alguma forma conseguem sobreviver a perdas fundamentais, podem ser considerados possuidores de um ego forte, sempre encontram um meio de sair de uma dificuldade, por mais avassaladora que tenha sido. Como as plantinhas que  furam o solo, atravessam o cimento e se erguem – diferentes das outras, frágeis, que se afetam ao menor toque.

         Quem se deixa sucumbir não conhece sua própria força.
  

         Uma grande perda pode ser vital para um destino: aquele que sobrevive, consegue descobrir o significado que tem em si, libertando-se de papeis que desempenhava e com os quais não se identificava na família e na sociedade. Deixando de ser função para ser sujeito, enfim. Este trabalho demora muito, porque ele teme deixar de atender àqueles que lhe atribuíram os valores que sempre representou.

         Hoje em dia, com a abordagem das ferramentas prontas e fáceis, uma grande maioria não aprendeu a enfrentar dificuldades; desvia-se do que lhe parece sofrimento e com isso não elabora a perda. Por exemplo, razões para se sentir triste são desviadas e classificadas de depressões: mal se revelam e são combatidas com medicamentos que anestesiam o sentir: a  partir do confronto com a perda, o sujeito se fortalece, descobre soluções.


         Em primeiro lugar, vamos ver o que favorece a existência de um ego forte: - bem no início da vida, aos dois, três anos , a criança começa a se estruturar emocionalmente; se formos examinar, na maioria dos casos,  encontra-se alguém que  lhe infundiu afeto, ou, pelo menos, atenção de alguma forma; pode ser mãe, pai, avó, um cuidador, alguma  babá. O pouco de confiança no mundo que essa pessoa em seu início de vida experimentou, pode garantir-lhe a força para descobrir saídas em obstáculos futuros. Foi deixado nela, em semente, um pequeno mas precioso reforço de pulsão de vida.


         O trabalho da psicanálise é justamente retomar a história emocional e reconhecer os bloqueios que impediram o analisando de superar suas dificuldades, conquistar com ele seu potencial criativo; representar aquela motivação, a primeira referência que talvez lhe tenha faltado.

         As pessoas que se deixam ocupar pelo desânimo e descrença o tempo todo, as que desistiram de buscar alternativas novas com medo de fracasso, são, em geral, as que, submetidas à pulsão de morte,  perderam forças, submissas à classificação de doentes. Ao se chegar a esse ponto, é preciso um esforço bem maior para reverter o processo.

         Passo a passo, observando o próprio comportamento, reconhecendo o que pode dar certo, pronto para recomeçar, quando visto que o rumo foi mal sucedido, o que todos precisam, cada vez mais, é da coragem de se superar. E, depois, ir além:  reinventar-se.

         Não há receitas. È seguir o impulso que nasce do mergulho em seu mundo interior.

         Despido dos apegos de valores já perdidos, de opiniões externas, cada um tem em si uma resposta única.

Como disse George Eliot:

 “Nunca é  tarde demais para ser aquilo que sempre se desejou ser.”


EFEITOS DA ATUAÇÃO DOS PAIS QUE MARCAM PARA SEMPRE




Mães e pais, se vocês soubessem o que gera a falta de carinho nos filhos!!!



Quando é criança, a menina brinca de boneca... finge que dá banho, penteia, coloca para dormir. Um dia a menina, já moça, se casa e tem um filho ou uma filha. Enquanto a criança é pequena, um pouco maior que uma boneca, a maioria das mães e dos pais demonstram prazer em cuidar. Há exceções...



Existem aquelas mães que conseguiram ser carinhosas com o seu bebê. Ele era o seu bebê. Os pais que diziam esperar o filho crescer para levar ao futebol... Mas a criança cresceu, começou a manifestar seus sentimentos, emoções e vontades; que nem sempre se identificavam com as suas próprias decisões. E aí começaram os conflitos. Aquela criança que a mulher e o homem tiveram para si contrariava seus planos: tinha vontade própria. E nas mínimas coisas vieram as repressões. Dependendo de cada um, sérias demais para serem esquecidas ao longo de toda a vida. Justificadas por frases como essas:



- “Quando casar, passa”( ao assistir a criança se machucando )

- “Engole o choro” ( diante de alguma manifestação de sofrimento da criança ou adolescente )

- “Bato porque fui educado assim, apanhando...”







Hoje em dia está provado pela neurociência o quanto a dor moral , a tristeza, a rejeição refletem na nossa história de vida. As experiências emocionais dolorosas da infância deixam marcas que afetam o comportamento do adulto. Um adulto que sofreu o desrespeito aos seus sentimentos precisa de muito apoio psicológico para tratar as cicatrizes do desamor. Torna-se desconfiado, não se sente digno de ser amado. Muitas vezes precisa até maltratar e trair, para conferir se realmente sentem algum afeto por ele.



Os pais , quando, deparando-se com o choro de um filho, diziam: “quando casar passa , engole o choro”, não conseguiam atender ao apelo de atenção que representava aquele choro. Sem falar naqueles que surravam a criança, para ela se calar ... e os filhos foram-se acostumando a saber que sua dor não era reconhecida e, se não era reconhecida, ele não era digno de ser querido. Essa impressão ficava como registro para o resto da vida, ou até vir à tona numa sessão de análise onde emerge a lembrança dolorosamente arquivada e escondida.



Não quero aqui, com essas palavras, acusar os pais, pois muitos não tinham condição de ver e prever os efeitos gerados em suas atitudes. Seguiam os modelos recebidos. Mas não é motivo para, nesta oportunidade, tentarmos evitar que histórias semelhantes se repitam. Carregamos conosco os fantasmas da infância, tudo o que nos atemorizou, tudo o que nos magoou, tudo o que nos impressionou.



Repito: muitas meninas querem ser mães porque acham lindo carregar aquele bebê , cuidar dele como cuidavam das bonecas. Mas não sabem o que fazer quando eles crescem e têm vontade própria. Querem continuar atuando sobre eles , decidindo com o que vesti-los também emocionalmente. E aí surgem os machucados escondidos na pele desde criança...Por exemplo, um tique nervoso, uma gagueira, choro contínuo, um medo específico que aparece. Alguém até avisa. Mas, ocupados com o dia a dia, com as tarefas do cotidiano, os pais não conseguem atribuir àquele sintoma o peso que mereceria.



Esse é outro problema muito comum na educação: não prestar muita atenção a alguns sinais, achando que vão passar sozinhos. E mais tarde se confrontar com patologias bem maiores.



O inconsciente está sempre atuando. Escondendo dos responsáveis uma possível abordagem mais efetiva, a busca de tratamento no momento certo.



Sempre que se verifica algum problema na criança ou no adolescente, não se pode fingir que não está vendo: é um alerta para se seguir e pesquisar. Uma criança que está bem não tem problemas na escola, não vive brigando, nem em casa, nem com os colegas.



É difícil viver, mais difícil educar. Mas a boa disposição para acertar, a abordagem com amor, o cuidado de quem está trazendo para o mundo uma nova esperança de melhora, é motivo para se tentar.



Sempre é tempo, enquanto há vida, de se corrigir a falta que teve num passado distante. Mães e pais, olhem nos olhos de seus filhos e busquem um contato. O momento de conexão vai lhes dar forças para descobrir o que eles carregam em seus corações. E terá valido vocês os terem trazido para o mundo.

















EFEITOS DA ATUAÇÃO DOS PAIS QUE MARCAM PARA SEMPRE



Mães e pais, se vocês soubessem o que gera a falta de carinho nos filhos!!!



Quando é criança, a menina brinca de boneca... finge que dá banho, penteia, coloca para dormir. Um dia a menina, já moça, se casa e tem um filho ou uma filha. Enquanto a criança é pequena, um pouco maior que uma boneca, a maioria das mães e dos pais demonstram prazer em cuidar. Há exceções...



Existem aquelas mães que conseguiram ser carinhosas com o seu bebê. Ele era o seu bebê. Os pais que diziam esperar o filho crescer para levar ao futebol... Mas a criança cresceu, começou a manifestar seus sentimentos, emoções e vontades; que nem sempre se identificavam com as suas próprias decisões. E aí começaram os conflitos. Aquela criança que a mulher e o homem tiveram para si contrariava seus planos: tinha vontade própria. E nas mínimas coisas vieram as repressões. Dependendo de cada um, sérias demais para serem esquecidas ao longo de toda a vida. Justificadas por frases como essas:



- “Quando casar, passa”( ao assistir a criança se machucando )

- “Engole o choro” ( diante de alguma manifestação de sofrimento da criança ou adolescente )

- “Bato porque fui educado assim, apanhando...”







Hoje em dia está provado pela neurociência o quanto a dor moral , a tristeza, a rejeição refletem na nossa história de vida. As experiências emocionais dolorosas da infância deixam marcas que afetam o comportamento do adulto. Um adulto que sofreu o desrespeito aos seus sentimentos precisa de muito apoio psicológico para tratar as cicatrizes do desamor. Torna-se desconfiado, não se sente digno de ser amado. Muitas vezes precisa até maltratar e trair, para conferir se realmente sentem algum afeto por ele.



Os pais , quando, deparando-se com o choro de um filho, diziam: “quando casar passa , engole o choro”, não conseguiam atender ao apelo de atenção que representava aquele choro. Sem falar naqueles que surravam a criança, para ela se calar ... e os filhos foram-se acostumando a saber que sua dor não era reconhecida e, se não era reconhecida, ele não era digno de ser querido. Essa impressão ficava como registro para o resto da vida, ou até vir à tona numa sessão de análise onde emerge a lembrança dolorosamente arquivada e escondida.



Não quero aqui, com essas palavras, acusar os pais, pois muitos não tinham condição de ver e prever os efeitos gerados em suas atitudes. Seguiam os modelos recebidos. Mas não é motivo para, nesta oportunidade, tentarmos evitar que histórias semelhantes se repitam. Carregamos conosco os fantasmas da infância, tudo o que nos atemorizou, tudo o que nos magoou, tudo o que nos impressionou.



Repito: muitas meninas querem ser mães porque acham lindo carregar aquele bebê , cuidar dele como cuidavam das bonecas. Mas não sabem o que fazer quando eles crescem e têm vontade própria. Querem continuar atuando sobre eles , decidindo com o que vesti-los também emocionalmente. E aí surgem os machucados escondidos na pele desde criança...Por exemplo, um tique nervoso, uma gagueira, choro contínuo, um medo específico que aparece. Alguém até avisa. Mas, ocupados com o dia a dia, com as tarefas do cotidiano, os pais não conseguem atribuir àquele sintoma o peso que mereceria.



Esse é outro problema muito comum na educação: não prestar muita atenção a alguns sinais, achando que vão passar sozinhos. E mais tarde se confrontar com patologias bem maiores.



O inconsciente está sempre atuando. Escondendo dos responsáveis uma possível abordagem mais efetiva, a busca de tratamento no momento certo.



Sempre que se verifica algum problema na criança ou no adolescente, não se pode fingir que não está vendo: é um alerta para se seguir e pesquisar. Uma criança que está bem não tem problemas na escola, não vive brigando, nem em casa, nem com os colegas.



É difícil viver, mais difícil educar. Mas a boa disposição para acertar, a abordagem com amor, o cuidado de quem está trazendo para o mundo uma nova esperança de melhora, é motivo para se tentar.



Sempre é tempo, enquanto há vida, de se corrigir a falta que teve num passado distante. Mães e pais, olhem nos olhos de seus filhos e busquem um contato. O momento de conexão vai lhes dar forças para descobrir o que eles carregam em seus corações. E terá valido vocês os terem trazido para o mundo.









EFEITOS DA ATUAÇÃO DOS PAIS QUE MARCAM PARA SEMPRE




Mães e pais, se vocês soubessem o que gera a falta de carinho nos filhos!!!



Quando é criança, a menina brinca de boneca... finge que dá banho, penteia, coloca para dormir. Um dia a menina, já moça, se casa e tem um filho ou uma filha. Enquanto a criança é pequena, um pouco maior que uma boneca, a maioria das mães e dos pais demonstram prazer em cuidar. Há exceções...



Existem aquelas mães que conseguiram ser carinhosas com o seu bebê. Ele era o seu bebê. Os pais que diziam esperar o filho crescer para levar ao futebol... Mas a criança cresceu, começou a manifestar seus sentimentos, emoções e vontades; que nem sempre se identificavam com as suas próprias decisões. E aí começaram os conflitos. Aquela criança que a mulher e o homem tiveram para si contrariava seus planos: tinha vontade própria. E nas mínimas coisas vieram as repressões. Dependendo de cada um, sérias demais para serem esquecidas ao longo de toda a vida. Justificadas por frases como essas:



- “Quando casar, passa”( ao assistir a criança se machucando )

- “Engole o choro” ( diante de alguma manifestação de sofrimento da criança ou adolescente )

- “Bato porque fui educado assim, apanhando...”







Hoje em dia está provado pela neurociência o quanto a dor moral , a tristeza, a rejeição refletem na nossa história de vida. As experiências emocionais dolorosas da infância deixam marcas que afetam o comportamento do adulto. Um adulto que sofreu o desrespeito aos seus sentimentos precisa de muito apoio psicológico para tratar as cicatrizes do desamor. Torna-se desconfiado, não se sente digno de ser amado. Muitas vezes precisa até maltratar e trair, para conferir se realmente sentem algum afeto por ele.



Os pais , quando, deparando-se com o choro de um filho, diziam: “quando casar passa , engole o choro”, não conseguiam atender ao apelo de atenção que representava aquele choro. Sem falar naqueles que surravam a criança, para ela se calar ... e os filhos foram-se acostumando a saber que sua dor não era reconhecida e, se não era reconhecida, ele não era digno de ser querido. Essa impressão ficava como registro para o resto da vida, ou até vir à tona numa sessão de análise onde emerge a lembrança dolorosamente arquivada e escondida.



Não quero aqui, com essas palavras, acusar os pais, pois muitos não tinham condição de ver e prever os efeitos gerados em suas atitudes. Seguiam os modelos recebidos. Mas não é motivo para, nesta oportunidade, tentarmos evitar que histórias semelhantes se repitam. Carregamos conosco os fantasmas da infância, tudo o que nos atemorizou, tudo o que nos magoou, tudo o que nos impressionou.



Repito: muitas meninas querem ser mães porque acham lindo carregar aquele bebê , cuidar dele como cuidavam das bonecas. Mas não sabem o que fazer quando eles crescem e têm vontade própria. Querem continuar atuando sobre eles , decidindo com o que vesti-los também emocionalmente. E aí surgem os machucados escondidos na pele desde criança...Por exemplo, um tique nervoso, uma gagueira, choro contínuo, um medo específico que aparece. Alguém até avisa. Mas, ocupados com o dia a dia, com as tarefas do cotidiano, os pais não conseguem atribuir àquele sintoma o peso que mereceria.



Esse é outro problema muito comum na educação: não prestar muita atenção a alguns sinais, achando que vão passar sozinhos. E mais tarde se confrontar com patologias bem maiores.



O inconsciente está sempre atuando. Escondendo dos responsáveis uma possível abordagem mais efetiva, a busca de tratamento no momento certo.



Sempre que se verifica algum problema na criança ou no adolescente, não se pode fingir que não está vendo: é um alerta para se seguir e pesquisar. Uma criança que está bem não tem problemas na escola, não vive brigando, nem em casa, nem com os colegas.



É difícil viver, mais difícil educar. Mas a boa disposição para acertar, a abordagem com amor, o cuidado de quem está trazendo para o mundo uma nova esperança de melhora, é motivo para se tentar.



Sempre é tempo, enquanto há vida, de se corrigir a falta que teve num passado distante. Mães e pais, olhem nos olhos de seus filhos e busquem um contato. O momento de conexão vai lhes dar forças para descobrir o que eles carregam em seus corações. E terá valido vocês os terem trazido para o mundo.

























abril/13
EFEITOS DA ATUAÇÃO DOS PAIS QUE MARCAM PARA SEMPRE




Mães e pais, se vocês soubessem o que gera a falta de carinho nos filhos!!!



Quando é criança, a menina brinca de boneca... finge que dá banho, penteia, coloca para dormir. Um dia a menina, já moça, se casa e tem um filho ou uma filha. Enquanto a criança é pequena, um pouco maior que uma boneca, a maioria das mães e dos pais demonstram prazer em cuidar. Há exceções...



Existem aquelas mães que conseguiram ser carinhosas com o seu bebê. Ele era o seu bebê. Os pais que diziam esperar o filho crescer para levar ao futebol... Mas a criança cresceu, começou a manifestar seus sentimentos, emoções e vontades; que nem sempre se identificavam com as suas próprias decisões. E aí começaram os conflitos. Aquela criança que a mulher e o homem tiveram para si contrariava seus planos: tinha vontade própria. E nas mínimas coisas vieram as repressões. Dependendo de cada um, sérias demais para serem esquecidas ao longo de toda a vida. Justificadas por frases como essas:



- “Quando casar, passa”( ao assistir a criança se machucando )

- “Engole o choro” ( diante de alguma manifestação de sofrimento da criança ou adolescente )

- “Bato porque fui educado assim, apanhando...”







Hoje em dia está provado pela neurociência o quanto a dor moral , a tristeza, a rejeição refletem na nossa história de vida. As experiências emocionais dolorosas da infância deixam marcas que afetam o comportamento do adulto. Um adulto que sofreu o desrespeito aos seus sentimentos precisa de muito apoio psicológico para tratar as cicatrizes do desamor. Torna-se desconfiado, não se sente digno de ser amado. Muitas vezes precisa até maltratar e trair, para conferir se realmente sentem algum afeto por ele.



Os pais , quando, deparando-se com o choro de um filho, diziam: “quando casar passa , engole o choro”, não conseguiam atender ao apelo de atenção que representava aquele choro. Sem falar naqueles que surravam a criança, para ela se calar ... e os filhos foram-se acostumando a saber que sua dor não era reconhecida e, se não era reconhecida, ele não era digno de ser querido. Essa impressão ficava como registro para o resto da vida, ou até vir à tona numa sessão de análise onde emerge a lembrança dolorosamente arquivada e escondida.



Não quero aqui, com essas palavras, acusar os pais, pois muitos não tinham condição de ver e prever os efeitos gerados em suas atitudes. Seguiam os modelos recebidos. Mas não é motivo para, nesta oportunidade, tentarmos evitar que histórias semelhantes se repitam. Carregamos conosco os fantasmas da infância, tudo o que nos atemorizou, tudo o que nos magoou, tudo o que nos impressionou.



Repito: muitas meninas querem ser mães porque acham lindo carregar aquele bebê , cuidar dele como cuidavam das bonecas. Mas não sabem o que fazer quando eles crescem e têm vontade própria. Querem continuar atuando sobre eles , decidindo com o que vesti-los também emocionalmente. E aí surgem os machucados escondidos na pele desde criança...Por exemplo, um tique nervoso, uma gagueira, choro contínuo, um medo específico que aparece. Alguém até avisa. Mas, ocupados com o dia a dia, com as tarefas do cotidiano, os pais não conseguem atribuir àquele sintoma o peso que mereceria.



Esse é outro problema muito comum na educação: não prestar muita atenção a alguns sinais, achando que vão passar sozinhos. E mais tarde se confrontar com patologias bem maiores.



O inconsciente está sempre atuando. Escondendo dos responsáveis uma possível abordagem mais efetiva, a busca de tratamento no momento certo.



Sempre que se verifica algum problema na criança ou no adolescente, não se pode fingir que não está vendo: é um alerta para se seguir e pesquisar. Uma criança que está bem não tem problemas na escola, não vive brigando, nem em casa, nem com os colegas.



É difícil viver, mais difícil educar. Mas a boa disposição para acertar, a abordagem com amor, o cuidado de quem está trazendo para o mundo uma nova esperança de melhora, é motivo para se tentar.



Sempre é tempo, enquanto há vida, de se corrigir a falta que teve num passado distante. Mães e pais, olhem nos olhos de seus filhos e busquem um contato. O momento de conexão vai lhes dar forças para descobrir o que eles carregam em seus corações. E terá valido vocês os terem trazido para o mundo.






EFEITOS DA ATUAÇÃO DOS PAIS QUE MARCAM PARA SEMPRE




Mães e pais, se vocês soubessem o que gera a falta de carinho nos filhos!!!



Quando é criança, a menina brinca de boneca... finge que dá banho, penteia, coloca para dormir. Um dia a menina, já moça, se casa e tem um filho ou uma filha. Enquanto a criança é pequena, um pouco maior que uma boneca, a maioria das mães e dos pais demonstram prazer em cuidar. Há exceções...



Existem aquelas mães que conseguiram ser carinhosas com o seu bebê. Ele era o seu bebê. Os pais que diziam esperar o filho crescer para levar ao futebol... Mas a criança cresceu, começou a manifestar seus sentimentos, emoções e vontades; que nem sempre se identificavam com as suas próprias decisões. E aí começaram os conflitos. Aquela criança que a mulher e o homem tiveram para si contrariava seus planos: tinha vontade própria. E nas mínimas coisas vieram as repressões. Dependendo de cada um, sérias demais para serem esquecidas ao longo de toda a vida. Justificadas por frases como essas:



- “Quando casar, passa”( ao assistir a criança se machucando )

- “Engole o choro” ( diante de alguma manifestação de sofrimento da criança ou adolescente )

- “Bato porque fui educado assim, apanhando...”







Hoje em dia está provado pela neurociência o quanto a dor moral , a tristeza, a rejeição refletem na nossa história de vida. As experiências emocionais dolorosas da infância deixam marcas que afetam o comportamento do adulto. Um adulto que sofreu o desrespeito aos seus sentimentos precisa de muito apoio psicológico para tratar as cicatrizes do desamor. Torna-se desconfiado, não se sente digno de ser amado. Muitas vezes precisa até maltratar e trair, para conferir se realmente sentem algum afeto por ele.



Os pais , quando, deparando-se com o choro de um filho, diziam: “quando casar passa , engole o choro”, não conseguiam atender ao apelo de atenção que representava aquele choro. Sem falar naqueles que surravam a criança, para ela se calar ... e os filhos foram-se acostumando a saber que sua dor não era reconhecida e, se não era reconhecida, ele não era digno de ser querido. Essa impressão ficava como registro para o resto da vida, ou até vir à tona numa sessão de análise onde emerge a lembrança dolorosamente arquivada e escondida.



Não quero aqui, com essas palavras, acusar os pais, pois muitos não tinham condição de ver e prever os efeitos gerados em suas atitudes. Seguiam os modelos recebidos. Mas não é motivo para, nesta oportunidade, tentarmos evitar que histórias semelhantes se repitam. Carregamos conosco os fantasmas da infância, tudo o que nos atemorizou, tudo o que nos magoou, tudo o que nos impressionou.



Repito: muitas meninas querem ser mães porque acham lindo carregar aquele bebê , cuidar dele como cuidavam das bonecas. Mas não sabem o que fazer quando eles crescem e têm vontade própria. Querem continuar atuando sobre eles , decidindo com o que vesti-los também emocionalmente. E aí surgem os machucados escondidos na pele desde criança...Por exemplo, um tique nervoso, uma gagueira, choro contínuo, um medo específico que aparece. Alguém até avisa. Mas, ocupados com o dia a dia, com as tarefas do cotidiano, os pais não conseguem atribuir àquele sintoma o peso que mereceria.



Esse é outro problema muito comum na educação: não prestar muita atenção a alguns sinais, achando que vão passar sozinhos. E mais tarde se confrontar com patologias bem maiores.



O inconsciente está sempre atuando. Escondendo dos responsáveis uma possível abordagem mais efetiva, a busca de tratamento no momento certo.



Sempre que se verifica algum problema na criança ou no adolescente, não se pode fingir que não está vendo: é um alerta para se seguir e pesquisar. Uma criança que está bem não tem problemas na escola, não vive brigando, nem em casa, nem com os colegas.



É difícil viver, mais difícil educar. Mas a boa disposição para acertar, a abordagem com amor, o cuidado de quem está trazendo para o mundo uma nova esperança de melhora, é motivo para se tentar.



Sempre é tempo, enquanto há vida, de se corrigir a falta que teve num passado distante. Mães e pais, olhem nos olhos de seus filhos e busquem um contato. O momento de conexão vai lhes dar forças para descobrir o que eles carregam em seus corações. E terá valido vocês os terem trazido para o mundo.




























Março/13"Feliz é aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina" Cora Coralina

A RESISTÊNCIA , O BOICOTE : A FORÇA DO INCONSCIENTE


No texto anterior, sobre a figura da mãe na psicanálise, sugeri a importância de se quebrar a repetição de um padrão aprendido no papel de mulher na família e iniciar um caminho de liberdade. Quanto mais se atravessa o tempo, mais forte se configura a necessidade de seguir significados autênticos. Valores essenciais.

Mas, em várias situações, o que se comprova é que, ao iniciar uma trajetória individual, ao se tentar ser “apenas o que se é”, surgem obstáculos.Externos e internos. Em volta de nós, sempre que iniciamos algo diferente e novo, levantam-se as opiniões, os conselhos:  “pra quê, por quê mudar? a experiência já não provou que daquele jeito dá certo, por quê não segue a tradição? “E dentro de nós, o medo: “e se eu não conseguir? Não conto com o apoio de ninguém ...” ...  o medo, sempre o medo, bloqueando nosso crescimento; Maeterlink escreveu: “O homem é um deus atemorizado”. Se todos os que abriram caminhos de progresso ficassem presos ao medo, o mundo continuaria na era da pedra. E ainda haveria aqueles que fariam sinais, prendendo seus filhotes, significando que estariam bem daquele jeito... 

O medo de mudar promove o que em psicanálise se chama Resistência. A mente se apega a subterfúgios racionalizados para manter  a acomodação. Mesmo que represente se manter no sofrimento, pois o sofrimento, por pior que seja, é conhecido. E a mente humana “morre de medo” do desconhecido, teme a mudança. Repito, e preciso repetir muito, porque continuo assistindo a várias pessoas que até resolvem tomar atitudes, sair da zona de conforto e enfrentar novas situações, mas se deixam vencer por ocorridos. Vou dar um exemplo: são várias as pessoas que, ao ler um livro, um artigo ou conversar com alguém que melhorou através de terapia, decidem-se a procurar um terapeuta. Chegam mesmo a marcar uma entrevista. Mas ao chegar a data, algo acontece: sofrem algum pequeno acidente, ficam doentes, indispostas, erram o caminho, enfim, faltam ao encontro. Não sabem que estão sendo comandadas pelo forte poder do inconsciente que não quer vê-las mudar, que teme o que vai ter que enfrentar nessa mudança.

A resistência pertence ao campo do INCONSCIENTE. O inconsciente rege a maior parte da nossa vida mental. Por isso não reconhecemos quando somos vencidos por ela. Apenas sentimos um desapontamento por não termos conseguido sair do lugar antigo e retomar nosso repetitivo jeito de viver. A Neurociência hoje confirma o que a Psicanálise já afirma desde o início do século vinte. Podemos comprovar num excelente artigo da Revista Superinteressante de fevereiro deste ano.

Realmente, quem busca uma terapia deve estar disposto a enfrentar seus fantasmas. Deve estar suficientemente decidido a abrir suas defesas e descobrir, com o terapeuta, passo a passo, os impedimentos que precisam ser removidos para dali para adiante prosseguir. Em direção de uma vida mais significativa.

Podemos considerar que um trabalho psicanalítico está sendo bem sucedido quando o analisando se habituar a reconhecer as causas dos problemas nas próprias atitudes, sem culpar a si mesmo ou a ninguém, apenas identificando, percebendo que está sendo sabotado pela resistência; quando consegue chegar a esse ponto e imediatamente não se deixar levar pelas “ rasteiras” do inconsciente, presas ao medo e à acomodação, e também  não esperar que as soluções de suas questões venham dos outros, será sinal de que a terapia está funcionando.
 ,
Continuamos no próximo texto.



Fev./13A Figura da Mãe na psicanálise


A FIGURA DA MÃE NA PSICANÁLISE

         Ao longo da clínica e no conteúdo de muitos estudos, verificamos, sempre, como a atuação da mãe funciona, influi e revela um poder determinante  no emocional dos filhos. Lendo Dez Mulheres, da autora que me impressionou muito bem , a chilena Marcela Serrano, confrontei-me novamente com o tema que mais gera material para análise: a figura da mãe na nossa vida.

         Cada capítulo apresenta o caso de uma paciente, que revela, na primeira pessoa, sua história quase sempre pungente. Identifico nelas a mesma presença da depressão, da angústia encontrada em tantas brasileiras crescidas na transição de sistemas fechados, sob uma  educação reprimida. E encontro naquelas que contaram com o apoio afetivo da mãe um marco diferencial: conseguem reunir mais determinação para entrarem em contato com as dificuldades. Conseguem carregar um dom precioso: uma autoestima satisfatória.

         Num trecho, ela expressa com leveza: todas recebemos uma quota de tédio, um limite para aguentar. Ao completar sua quota de tédio, pule fora, sugere ela, “ saia, termine, não se machuque.” Quantas de nós seguimos o rastro de uma feminilidade fraca, que não consegue dizer não e vai além dos seus limites de sofrimento... aprendeu a suportar, a aceitar, a relevar... como sua mãe fazia.

          E noutro:
         “ Dizem que tudo se repete, tudo volta a acontecer geração após geração, avós, mães, filhas, uma linha eterna. Até que alguma delas  a rompe, dá uma virada e quebra a repetição. “

         É isso que o trabalho psicanalítico nos pode dar: primeiro, consciência de que não queremos aquele papel para nós, depois coragem para desapegar do que identificamos que nos atrapalha para ficarmos libertas e, em seguida, forças para quebrar a sucessão de hábitos repetitivos. Lucidez para escolher nosso próprio caminho.

         Não é fácil: são anos de trabalho para, primeiro, identificar o que vem nos forjando, numa educação  moralista. Porque, como afirma a autora citada: “ O que mais enceguece é o mais familiar”.
         Difícil reconhecer, elo por elo, da corrente invisível que desde muito cedo sempre nos prendeu. Desembaralhar, dos hábitos diários, as  teias armadas pelo costume de obedecer sem questionar.

         Por que parece tão importante buscar a liberdade?

         Porque chegou o momento de não mais sofrer como a maioria de nossas mães. De admirar aquelas que já souberam saltar fora da armadilha tão bem engendrada que apresentava a vítima como heroína. De seguir ,  abrindo um caminho de resgate, de atravessar seu tempo de vida sem assumir-se culpada por ter conhecido o prazer. E, assim, sem necessidade de provar nada para o mundo, usufruir do fato de acordar sem angústia, sem ansiedade, por ter aprendido a se aceitar como é, não temendo mais estar além ou fora dos padrões estabelecidos por uma sociedade limitada a preconceitos.







sábado, 22 de dezembro de 2012


Janeiro 2013         Sinto-me nascido a cada momento
 para a eterna novidade do mundo.
Alberto Caeiro


ACEITANDO O DIFERENTE E SE TORNANDO ESPECIAL

Uma das condições atingidas pelo trabalho psicanalítico  acontece quando o analisando começa a perceber que o mundo não reflete sua realidade, que as pessoas  em volta não são prolongamentos de sua limitada existência. E os paradigmas que o norteiam não são necessariamente a melhor forma de se orientar.

...Que os que existem fora dele não precisam repetir o que conhece como modelo.
Talvez esse seja um dos primeiros degraus que separam a mente infantil do amadurecimento.

Uma admiração encoberta por estranheza ocupa alguns pensamentos ao se depararem com o inexplicado.  As qualidades alheias inquietam, por provocarem  dificuldade em entendê-las.
Como não entendem, não sabem como lidar. Como não sabem como lidar, agridem. Relacionar-se com o diferente instiga, é um desafio à vaidade e à insegurança. Quanto mais audacioso, mais instigante e desafiador.
O observador inadvertido, diante dos que se destacam por diferentes, se pergunta:
- Como ousam ser tão autênticos? Que força os impele a  seguir tão diretamente seus sentimentos, correrem riscos em função do que  desejam ou acreditam?

Pessoas que seguem outros valores que não os seus. os que não  conseguem entender,  criticam.

Mas aquele que tem coragem de mergulhar fundo na angústia            até chegar a uma relativa  tranquilidade, entrando em contato com as próprias  emoções, está se embrenhando pelos lados obscuros da  mente, tocando  os pontos cegos; e,  quando conseguir aceitar o desconhecido que vive no seu mundo interior, vai iniciar                      uma pequena brecha para a aceitação do outro, e do diferente que existe dentro do outro. Vai se preparar para o desconhecido.  Empreender a arte do crescimento. E só após esse exercício, conseguir conviver  (=  Con- viver ).

Disse o grande filósofo e mestre Paramahansa Yogananda:
Receberei de bom grado todas as provas, pois sei que em mim existem a inteligência para compreender e o poder de superá-las.




Continuamos no próximo texto.